Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmos dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.
O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e des
aparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.
De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.
Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhea
o seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernaltade
rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.
Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais por um verão interior.
[Herberto Helder, de Cinco Canções Lacunares, in Ou O Poema Contínuo]
http://teoriadadesilusao.wordpress.com/tag/herberto-helder
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terça-feira, 28 de abril de 2009
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Aconteceu no Redondo, Alentejo… relato da Sessão de Janeiro 2008
Planeta Terra
13 Janeiro 008
Matinés Cinéfilas
film factory 007:
processos de criação em cultura visual
(Coordenação: Paula Soares)
Esta sessão foi conduzida com base no modelo da Teoria da Integração de Paula Soares (Criador / Obra Espelho / Perceptor)1, tendo-se centrado o enfoque no âmbito das percepções dos perceptores após o visionamento de cada filme num ambiente de instalação sonora e visual.
Nesta sessão contámos com a presença dos realizadores Paula Mar e Miguel Mocho.
Na tertúlia que se seguiu no Chá de Luar, emergiu um concerto com Miguel Mocho e três músicos seus convidados que nos fizeram viajar através de paisagens sonoras envolventes, preenchendo muito do lugar das habituais palavras cinéfilas… De destacar a subtil homenagem a Wim Wenders através de uma variação de um excerto sonoro de Paris, Texas… Bem hajam!
No jantar “Cozinhas do Mundo” que se seguiu deliciámo-nos com rolinhos helénicos, pato méditerranée com laranja e marmelos alternativos com toque de canela…
As imagens…
13 Janeiro 008
Matinés Cinéfilas
film factory 007:
processos de criação em cultura visual
(Coordenação: Paula Soares)
Christus-Buddha
Tal como outrora o Grande Iluminado,
Também ele procurou o Silêncio,
A Ligação Consciente com o Divino
Em profunda Meditação Introspectiva
Tornou-se uno com o seu Criador,
Atingiu a Unidade Plena,
A fusão com a sua Completude Anímica
Também ele procurou o Silêncio,
A Ligação Consciente com o Divino
Em profunda Meditação Introspectiva
Tornou-se uno com o seu Criador,
Atingiu a Unidade Plena,
A fusão com a sua Completude Anímica
Esta sessão foi conduzida com base no modelo da Teoria da Integração de Paula Soares (Criador / Obra Espelho / Perceptor)1, tendo-se centrado o enfoque no âmbito das percepções dos perceptores após o visionamento de cada filme num ambiente de instalação sonora e visual.
Nesta sessão contámos com a presença dos realizadores Paula Mar e Miguel Mocho.
Na tertúlia que se seguiu no Chá de Luar, emergiu um concerto com Miguel Mocho e três músicos seus convidados que nos fizeram viajar através de paisagens sonoras envolventes, preenchendo muito do lugar das habituais palavras cinéfilas… De destacar a subtil homenagem a Wim Wenders através de uma variação de um excerto sonoro de Paris, Texas… Bem hajam!
No jantar “Cozinhas do Mundo” que se seguiu deliciámo-nos com rolinhos helénicos, pato méditerranée com laranja e marmelos alternativos com toque de canela…
As imagens…
Num Domingo chuvoso de Janeiro estreámos:
e
Auditório do Centro Cultural do Redondo
a realizadora Paula Mar na estreia de "in the mind…
O realizador Miguel Mocho na estreia de "s t o n e d"
Seguimos para o Chá de Luar…
Os músicos convidados abriram as suas caixas…
Miguel Mocho tocou sob meditação musical…
Sapo com violoncelo electrónico tocou-nos nas cordas da alma…
Eddie na guitarra fez-nos voar…
As cinéfilas mais jovens não resistiram a experimentar o violoncelo electrónico…
Agradecemos a todos que participaram na realização desta sessão… Bem hajam!
Projecto “Cultura Visual, Cinema e Multiculturalidade” (CIEP-UE)
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