O CINEMA-FORA-DOS LEÕES apresenta
Sexta-feira, 8 de Maio
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
Sexta-feira, 8 de Maio
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
NATURAL BORN KILLERS / 1994
Oliver Stone
Seguem-se as seguintes sessões:
15 de Maio - Rope (1948), Alfred Hitchcock.
29 de Maio - Projecto Ruptura Silenciosa, com a presença do Arquitecto Luís Urbano.
Mickey & Mallory, pelos caminhos que já foram do velho Oeste, a matar indiscriminadamente. Matam porque não tiveram apoio familiar, matam pelos traumas que não conseguiram superar, matam pelas circunstâncias, matam para alimentar a lenda que à volta deles foi construída, enfim, diz também o título, matam por natureza. Outros, aqueles que os que os perseguem, que deles se alimentam, ou matam ou desejam matar. Outros ainda, os fãs, também comedores de almas, mas de tipo diferente, gostam que eles matem, pois assim também matam e não precisam de sujar as mãos. Too much TV!, pode ler-se a dado momento, uma das poucas ocasiões que se pretende (ou assim parece) de lucidez. Ocasião que, no entanto, também degenera em morte.
Stone dá-nos imagem sobre imagem, sobreimposição de tipos e géneros e velocidades em montagem vertical (modelo desse modo definido pelo próprio Stone, e que consiste numa simultaneidade entre os níveis de mostragem). Vemos o que vemos, vemos o que os personagens realmente são e sentem, e ainda vemos (quase tudo) o que o cinema permite que seja visto enquanto mecanismo / meio de multíplices possibilidades. Os dois primeiros níveis estão evidentemente contidos no último, mas mantidos à distância, com vida própria. Exemplo: Mickey bebe uma chávena de café, lê uma notícia de jornal sobre os seus crimes (sequência a cores) – Corte abrupto – Mickey de aspecto monstruoso coberto de sangue (sequência a preto-e-branco) – Corte – O verde cintilante da tarte de lima, que Mickey corta com o garfo e mete na boca – Corte – Condiz com o verde da Jukebox, de onde uma canção começa a ressoar. Simultaneidade entre o mundo exterior, o mundo interior e o mundo do cinema; o corpo, a alma e o belo (estético/artístico).
A estratégia é o que, livremente, podemos apelidar de interpenetração agressiva como caminho inevitável para a overdose. Aproximação como se de um nível superior e totalmente abrangente (enquanto olhar); olhar da quinta-dimensão. Se recordarmos uma das sessões anteriores, The Face of Another (H. Teshigahara), algo de muito semelhante foi dito sobre o propósito do cinema de Teshigahara: sobredosagem de técnica como forma de atingir um olhar simultaneamente interior e exterior; só que Stone vai ainda mais longe, não deixa implícito, mostra-nos tudo.
O CINEMA -FORA- DOS LEÕES: Perfil da nossa programação
Ela organiza-se em torno de quatro eixos:
(I) O cinema português em primeira pessoa - apresentado pelos próprios realizadores e realizadoras (sessão mensal)
(II) Exploração sistemática da multidimensionalidade técnica do cinema como medium dos seus conteúdos (rubrica permanente);
(III) Carta branca às escolhas dos convidados: críticos, cineclubistas, académicos… (sessão bimestral);
(IV) Ciclos temáticos pontuais - e de ponta (rubrica semestral).
Características:
- Apresentação, comentário e debate alargado de todos os filmes.
- Folha de Sala em todas as sessões (ficha técnica e caderno de ensaios interpretativos).
- Leitura e conceptualização do cinema na rememoração da sua história integral (e das suas geografias) e no horizonte da crítica cinematográfica, dos Film Studies, da Filosofia do Cinema e… da pura cinefilia (a louca da casa).
- Site (‘en construcción’).
- Carta branca ao espectador: entrada livre, contribuição graciosa à saída para o nosso projeccionista, o Sr. António.
Finalidades:
- Integrar-se na actividade cinéfila de grande qualidade e variadas orientações da cidade de Évora (‘os cinco santuários’).
- Projectar a compreensão do cinema para além do cinema - como forma e caminho de um pensamento de tudo.
- Contribuir para a constituição de uma comunidade consistente de espectadores que vejam, pensem e digam cinema (isto é, o mundo).
- Encontrar o coração de cada filme (por onde ele nos atinge desde dentro), que é também o nosso.
- Animar e mobilizar o marasmo estrutural de um público-alvo em fase aguda da sua inexistência, e exortar as duas comunidades universitárias (a docente e a discente), bem como a bacia cultural eborense lato sensu, a não temerem a magnitude do ecrã na noite escura. Não é um espelho. Nem a ‘utilidade social’ da ‘articulação da Universidade com a dinâmica cultural’, permitindo assim passar-se a observar (in vivo, ou sob a forma de hino) a plasticidade dos saberes.
- Aspirar à caridade municipal da mais ampla divulgação da programação de cinema (e outras) na cidade (correntemente em eclipse militante).
- Levar a perceber que um filme é (ou num filme há) uma sensação informulada que domina tudo o resto e, então, adoecer de cinema *.
* A expressão é de Enrique Vila-Matas: ‘adoecer de literatura’. Também.
Luís Ferro (Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora).
José Manuel Martins (Departamento de Filosofia da Universidade de Évora).
Jorge Branquinho (Ministério da Saúde).
Sessões às 21h30
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
Rua Diogo Cão, 8 | 7000-872 Évora | Portugal
cineclube@uevora.pt | auditorio.sorormariana@gmail. com
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
Rua Diogo Cão, 8 | 7000-872 Évora | Portugal
cineclube@uevora.pt | auditorio.sorormariana@gmail.
Apoios: Cineclube da Universidade de Évora | Pátio do Cinema – Núcleo de Cinema da SOIR | Departamento de Arquitectura e Departamento de Filosofia da Universidade de Évora.

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