O CINEMA-FORA-DOS LEÕES apresenta
ALTERAÇÃO_Sexta-feira, 16 de Janeiro
Batalla en el Cielo, Carlos Reygadas, 2005, 94'
Seguem-se as seguintes sessões:
23 de Janeiro - Bullet in the Head, John Woo, 1990.
30 de Janeiro - Last Days, Gus Van Sant, 2005.
Devido a imperativos de índole técnica, a exibição do filme «Deste Lado da Ressurreição» será adiada para o dia 6 de Fevereiro. Lamentamos o inconveniente que esta alteração de véspera possa causar; no entanto informamos que deste modo, em Fevereiro, poderemos regozijar-nos com o visionamento da película de 35mm que esteve presente em Toronto, São Paulo, Nova Iorque e Harvard.
Estas travessias deram história, corpo e espessura à película que tem como próximo destino a cidade de Évora. Mas não vem só, faz-se acompanhar pela gentil e muito desejada presença do realizador Joaquim Sapinho, curador do internacionalmente aclamado ciclo Harvard na Gulbenkian.
Visto isto, amanhã exibiremos o filme «Batalla en el Cielo».
De carreira recente e inesperada, o mexicano Carlos Reygadas é, como Bresson, um cineasta em busca da graça no âmago mesmo do irredimível e do irreparável, tornando o seu 'cinema transcendental' num método de indagação rigorosa de qualquer coisa que deixou de ter os nomes antigos da salvação ou do sentido, e que pertence ao nosso tempo sob a forma de uma estranha pietà. Porque, ao contrário da inflexível conclusão que um Béla Tarr tira filme a filme sobre a imperdoável existência do nosso mundo, é esse o olhar que Reygadas sobre ele volve, sem nunca o desviar até ao fundo da perdição de cada personagem.
Nos seus quatro filmes, quatro modalidades diversas de percorrer a via crucis procedem metodicamente: se, como reza o título de Fassbinder, 'o amor é mais frio que a morte', a câmara de Reygadas é ainda mais fria que a paixão, como uma pálpebra búdica. Ela assiste às mais serenas ressurreições; àqueles que são resgatados pelo mistério dos corpos no que Lacan designava «a impossibilidade de rapport sexual»; aos que um plácido demónio de néon visita; àqueles que no fim arrancam mais que os olhos que Édipo em desgraça se arrancava; e, no filme que hoje passa, essa câmara segue (como um anjo de Wenders aos desta terra) os passos de abominação e de demência de um peregrino da morte que talvez no final não saiba se morreu.
Sessões às 21h30
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
Rua Diogo Cão, 8 | 7000-872 Évora | Portugal
cineclube@uevora.pt | auditorio.sorormariana@gmail. com
Apoios: Cineclube da Universidade de Évora | Pátio do Cinema – Núcleo de Cinema da SOIR | Departamento de Arquitectura e Departamento de Filosofia da Universidade de Évora.
30 de Janeiro - Last Days, Gus Van Sant, 2005.
Devido a imperativos de índole técnica, a exibição do filme «Deste Lado da Ressurreição» será adiada para o dia 6 de Fevereiro. Lamentamos o inconveniente que esta alteração de véspera possa causar; no entanto informamos que deste modo, em Fevereiro, poderemos regozijar-nos com o visionamento da película de 35mm que esteve presente em Toronto, São Paulo, Nova Iorque e Harvard.
Estas travessias deram história, corpo e espessura à película que tem como próximo destino a cidade de Évora. Mas não vem só, faz-se acompanhar pela gentil e muito desejada presença do realizador Joaquim Sapinho, curador do internacionalmente aclamado ciclo Harvard na Gulbenkian.
Visto isto, amanhã exibiremos o filme «Batalla en el Cielo».
De carreira recente e inesperada, o mexicano Carlos Reygadas é, como Bresson, um cineasta em busca da graça no âmago mesmo do irredimível e do irreparável, tornando o seu 'cinema transcendental' num método de indagação rigorosa de qualquer coisa que deixou de ter os nomes antigos da salvação ou do sentido, e que pertence ao nosso tempo sob a forma de uma estranha pietà. Porque, ao contrário da inflexível conclusão que um Béla Tarr tira filme a filme sobre a imperdoável existência do nosso mundo, é esse o olhar que Reygadas sobre ele volve, sem nunca o desviar até ao fundo da perdição de cada personagem.
Nos seus quatro filmes, quatro modalidades diversas de percorrer a via crucis procedem metodicamente: se, como reza o título de Fassbinder, 'o amor é mais frio que a morte', a câmara de Reygadas é ainda mais fria que a paixão, como uma pálpebra búdica. Ela assiste às mais serenas ressurreições; àqueles que são resgatados pelo mistério dos corpos no que Lacan designava «a impossibilidade de rapport sexual»; aos que um plácido demónio de néon visita; àqueles que no fim arrancam mais que os olhos que Édipo em desgraça se arrancava; e, no filme que hoje passa, essa câmara segue (como um anjo de Wenders aos desta terra) os passos de abominação e de demência de um peregrino da morte que talvez no final não saiba se morreu.
Sessões às 21h30
AUDITÓRIO SOROR MARIANA
Cineclube da Universidade de Évora
Rua Diogo Cão, 8 | 7000-872 Évora | Portugal
cineclube@uevora.pt | auditorio.sorormariana@gmail.
Apoios: Cineclube da Universidade de Évora | Pátio do Cinema – Núcleo de Cinema da SOIR | Departamento de Arquitectura e Departamento de Filosofia da Universidade de Évora.

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